Minimalismo vs crianças - como ter um espaço acolhedor e funcional
- InsidePocket

- 4 de jun. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de jun. de 2020
Com o nosso maior poder de compra e os preços baixíssimos de roupa, brinquedos e livros, compramos e compramos numa enchente de tralha que entope a nossa casa, o quarto dos mais novos e a vida familiar. O minimalismo pode e deve ser uma constante por toda a casa incluindo o quarto dos pequenos. Começando por ter menos e passando por organizar e remover temporariamente o que possuem, conseguimos trazer harmonia ao quarto das crianças e oferecer-lhes mais espaço para brincarem e se expressarem.
Muitas vezes enchemos o quarto deles com móveis que guardam todos seus pertences. Como a quantidade desses pertences aumenta continuamente, compramos mais um móvel ou mais uma caixa e o espaço vazio e amplo, tão essencial na brincadeira, desaparece. A criança fica 'submersa' em coisas que fazem com que a sua atenção disperse e o espaço de que precisa deixe de existir.
Um quarto infantil minimalista e funcional não tem de ser despido de cor ou de objectos decorativos. Pelo contrário! O quarto da nossa pequena, como podes ver nas fotos abaixo (clica para o lado para veres mais), é alegre e contém elementos coloridos como balões, postais, luzinhas, um tapete e um candeeiro de tecto decorado por mim. O ambiente é muito acolhedor, alegre e funcional!
Por que é importante as crianças terem um espaço para brincar e dormir desimpedido?
Ficam com mais espaço para brincar;
Têm uma visão desimpedida de todo o seu espaço;
Menos objectos criam menos confusão visual pelo que o cérebro fica menos sobrecarregado com informação. Isto permite que a criança se foque só na brincadeira em vez de a atenção dispersar constantemente para algo novo;
O seu subconsciente vai interiorizando que espaço amplo traz paz e alegria e horas de brincadeira e em adulto talvez não sinta necessidade de ter muitas coisas para ser feliz!
Como manter o quarto dos mais novos minimalista e funcional?
As ideias principais para conseguir um quarto amplo e com espaço para brincar é ter menos coisas expostas. Como?
Para mim a melhor estratégia continua a ser: ter menos tralha! As crianças não precisam de tantos brinquedos nem de tantas roupas. É demasiado o que possuem num dado momento quanto mais ao longo dos anos!
Uma estratégia que sempre usámos foi a rotação dos brinquedos. Quando ela começa a brincar menos com algo, este passa para a parte superior do armário onde ela não vê nem chega. Um 'novo' brinquedo poderá descer do armário ou então deixa-mo-la brincar apenas com aquilo a que já tem acesso. Passados uns tempos voltamos a dar-lhe o brinquedo 'escondido' e para ela é uma enorme felicidade pois é como se esivesse a receber um brinquedo novo outra vez só que desta vez, vem acompanhado de belas memórias de que pode voltar a disfrutar.
Outra estratégia é a do 'tira um põe outro'. Não muito diferente da anterior, esta estratégia consiste em tirar um boneco e deixar a criança escolher apenas um com que quer voltar a brincar. Isto funciona bem para nós com peluches. A nossa filha adora estar rodeada de peluches mas temos de limitar o número porque com a nossa amiga de quatro patas (que adora roer os ditos) acabamos com a casa coberta de ursinhos, coelhos, dragões e unicórnios. Para além de a cadela poder ficar bem doente se ingerir os conteúdos dos peluches, a confusão visual que tantos bichos peludos causam em casa é demais. Assim, quando a pequena pretende brincar com um peluche do qual sente a falta, escolhe um para o devolver ao cimo do armário por uns tempos.

Manter roupas e brinquedos dentro do armário embutido e/ou dentro de caixas. Desta forma, a primeira impressão do espaço é desimpedida e agradável. A criança foca a sua atenção em dada caixa para aquela brincadeira e as outras permanecem no armário.
Em relação a roupa, selecciono as peças que ela irá precisar para aquela estação. Se tiver a mais, guardo fora de vista no caso de ter calculado mal o número de peças e vou buscar. Quando ela cresce para lá desse tamanho, doo a roupa a instituições ou amigos que queiram.
Como não acumular tantas coisas no quarto das crianças?
A resposta a isto é simples: ter menos! Como?
Explicar a amigos e familiares que a criança não precisa de mais roupa para aquela estação. Podemos acrescentar que para a próxima estação davam jeito umas calças ou uma camisola, por forma a não tirar às pessoas a sua boa vontade de oferecer algo (mas só se for verdade que a criança precisará mesmo!).
Explicar que o nosso filho não precisa de mais brinquedos ou livros para ser feliz; em vez disso, podiam levá-lo ao cinema, parque ou a comer um gelado. Passar tempo com eles é o melhor a oferecer! (vê aqui os benefícios da natureza para o desenvolvimento infantil).
Outra forma é controlarmo-nos a nós próprios enquanto pais e percebermos se aquela peça de roupa ou aquele brinquedo faz mesmo falta e se acrescenta algo realmente importante na vida da criança.
Enquanto pais, amigos e familiares, temos de fazer ouvidos surdos à publicidade incansável. Temos de nos informar sobre o desenvolvimento infantil e pensarmos por nós próprios em vez de seguirmos tradições consumistas (prendas no Natal, no Aniversário, no dia da Criança e por aí fora). As marcas querem vender e, por isso, fazem-nos querer comprar. A maior parte das vezes, não é mesmo preciso! Vê aqui que brinquedos ou objectos dar à criança para um desenvolvimento feliz e cheio de imaginação!
Finalmente, quanto menos expusermos os miúdos à dita publicidade e constante pressão social de ter mais e mais reduzimos a pressão que exercem sobre nós para comprar e comprar. Podemos fazer isto limitando o tempo de televisão (onde passa muita publicidade) e limitar o tempo em que vêem 'bonecos da moda'. Não digo que isto seja fácil e a minha experiência pessoal limita-se a uma criança de três anos. Quando os pequenos são mais velhos, as coisas complicam-se; começam a comparar com os amigos os brinquedos de cada um e quem tem mais piões, mais robôs ou roupa desta ou daquela marca... e aí a pressão para adquirir novas coisas é esmagadora.
Sejamos fortes e passemos aos nossos filhos os valores que achamos mais acertados seguirem na vida deles (serem pouco consumistas, preocuparem-se com os impactos que têm no meio ambiente onde vivem e onde poderão vir a criar também uma família).
No fim, a decisão é deles, mas o nosso papel é demasiado importante para ser ignorado! Força!
Até breve,
Diana














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