Desperdício Zero desmistificado
- InsidePocket

- 29 de jul. de 2020
- 3 min de leitura
O que é o Desperdício Zero?
O Desperdício Zero é um movimento em franca expansão e consiste em não produzir nenhum tipo de lixo, ou seja, tudo o que não for reciclável ou compostável não entra na lista de compras. Assim, não se compram alimentos embalados em embalagens de esferovite (ex. carne embalada) nem legumes envolvidos em papel aderente. Mesmo produtos embalados em algo reciclável (como bolachas, iogurtes, geleias e compotas, etc.) permanecem muitas vezes nas prateleiras do supermercado dando-se preferência a confeccioná-las em casa. Visto o plástico acarretar impactos terríveis para todos os seres vivos (humanos incluídos!), todo o tipo de artigos feitos de plástico ou envolvidos em plástico (ainda que reciclável) são talvez o alvo principal do movimento Desperdício Zero. Como tal, esses artigos são evitados em prol de alternativas biodegradáveis, mais sustentáveis ou simplesmente mais duradouras como palhinhas ou escovas dos dentes de bambu, garrafas de metal, champô sólido, entre inúmeros outros exemplos!
A essência do desperdício zero
A essência do Desperdício Zero passa por lidarmos com o problema do lixo na sua origem (através das escolhas do consumidor) e não no final da sua vida (reciclar, por exemplo). É óptimo todos reciclarmos tudo o que pudermos mas o processo de reciclagem também tem um custo ambiental (enormes gastos energéticos e enormes desperdícios) para além de que nem tudo o que pomos para reciclar é, na realidade, reciclado.
Então, como lidar com o lixo na sua origem? Não o comprando!
No movimento do Desperdício Zero dá-se preferência a comprar a granel levando a nossa própria caixa, saco, frasco. Evita-se assim comprar novas embalagens de plástico, metal e vidro. Reaproveita-se muito as embalagens que já se tem em vez de as reciclar. Por exemplo, reutilizam-se garrafas ou frascos de vidro para armazenar alimentos (sementes, chá, leguminosas) ou para guardar a compota caseira ou o iogurte natural.
Porquê adoptar o desperdício zero?
Adoptar ou não um estilo de vida em busca do desperdício zero depende da consciência e conhecimentos de cada um. Temos de, primeiro, perceber o problema do lixo para nós e para a Terra; depois, temos de perceber se nos importamos com isso ou não. Se não quisermos saber disso para nada então não estamos certamente a pensar que isto nos afecta directamente agora. Como? Coisas simples como ir à praia e vê-la revestida de palhinhas e beatas de cigarro, ou coisas complexas como a presença de microplásticos em produtos que ingerimos (como peixe, mexilhões, polvo, etc.) e que vêm interferir com a nossa regulação hormonal e encher-nos de toxinas.
Cada um de nós pode fazer a diferença?
Sim! Porquê? Focando-nos no facto de existirem 7.8 biliões de pessoas no mundo é difícil acreditar que só um de nós pode mudar algo. Ainda que noutros contextos históricos uma só pessoa fez de facto a diferença, como é que nós, enquanto consumidores, podemos fazer o mesmo?
Pensemos naquela única e solitária palhinha que nos puseram no sumo de laranja no restaurante. É só uma! E por isso não tem mal que a deitemos no caixote do lixo de rua ou até mesmo na areia da praia, pois não? Agora pensemos no número de seres humanos à face da Terra. Se todos beberem um sumo de laranja com palhinha hoje vamos ter, apenas neste dia, 7.8 biliões de palhinhas. Quantos caixotes do lixo irá isto encher apenas no espaço de 24 horas?

Pondo cada uma das nossas escolhas nesta perspectiva torna-se assustador quando pensamos no que consumimos: o número de fraldas descartáveis que uma criança usa, o número de redes deitadas ao mar, a quantidade de escovas dos dentes que usamos ao longo da nossa vida, o número de pensos higiénicos e tampões que cada mulher precisa, discos desmaquilhantes... a lista é quase infinita e quando conseguimos ver o impacto gigantesco que cada um de nós tem no que nos rodeia (e no que está tão longe de nós nas ilhas de plástico nos oceanos), torna-se realmente impensável não pararmos e avaliarmos o nosso comportamento consumista.
Como mudar enquanto consumidor?
Após percebermos a gravidade das consequências das nossas escolhas enquanto consumidores, podemos começar a reflectir no que compramos. Da próxima vez que formos ao supermercado vamos:
Questionar sempre:
- preciso mesmo deste produto?
- existe alguma alternativa mais sustentável, ou seja,
. posso comprar em embalagem maior?,
. posso comprar sem ser embalado?,
. posso comprar em embalagem de outro material?
Estas mudanças e esta forma de pensar não vão, nem devem, mudar de um dia para o outro. Se há algo menos sustentável que costumamos comprar mas que realmente nos parece imprescindível na nossa vida então deixemos essa luta de lado e escolhamos outras batalhas que podemos facilmente vencer.
Não se trata de sermos perfeitos mas sim de fazermos escolhas melhores consistentemente!
Boas escolhas!
Até breve,
Diana















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