Como ter menos e viver mais – Introdução ao minimalismo
- InsidePocket

- 14 de jan. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de mar. de 2020
Minimalismo é vivermos apenas com uma colher, um prato e a roupa que temos no corpo... só assim seremos felizes. Será?
Não!

Minimalismo é percebermos exactamente do que necessitamos para sermos felizes e não incluirmos na nossa vida mais do que isso. Refere-se a bens materiais e imateriais, ou seja, objectos do nosso quotidiano ou ficheiros digitais podendo ir mais além e abarcar relacionamentos inter-pessoais.
O comum mortal imerso na sociedade ocidental vive num regime de capitalismo. “Que bom! Temos poder de compra!”. Sim, temos, mas esta sociedade exerce também sobre o comum mortal uma pressão enorme para usufruir desse poder de compra. Resultado: consumismo até mais não!
É bom termos poder de compra, é maravilhoso podermos satisfazer mais do que as nossas necessidades básicas e usufruir de bens ou serviços que são um extra para muita gente tais como possuir uma televisão, ter brinquedos, ter pratos coloridos e talheres de design interessante, ou na realidade, termos tudo do que nos possamos lembrar. Sim, porque actualmente só a imaginação é o limite já que surgem os mais esquisitos e inúteis objectos que servem para executar tarefas mínimas e desnecessárias.
Aqui jaz o problema: temos tudo ao nosso dispor e queremos ter tudo.
Levante a mão quem nunca disse, ao mudar para outra casa, “Só de pensar em encaixotar aquela tralha toda já nem me apetece sair desta casa”.
Tralha; esta é a palavra-chave no caminho contra o consumismo e em direcção ao minimalismo. Se, ao olharmos à nossa volta, identificarmos a maioria do que vemos como tralha então temos muito a fazer e devemos meter mãos à obra pois existem inúmeros problemas associados ao excesso de coisas e, como tal, devemos fazer o que está ao nosso alcance para fugir a esta teia de acumulação de tralha.
Como caminhar a passo firme em direcção a uma vida mais minimalista? Dou-vos o meu exemplo. De tempos a tempos dou uma volta pela casa e abro os armários inspeccionando o interior. Alguns objectos atraem, inevitavelmente, o meu olhar questionador. Pego neles e pergunto-me: “Será que precisas mesmo de existir na minha vida?”; “Quantas vezes é que te usei este ano? ”, “Serves realmente o propósito para que te comprei?”.
Se for um objecto que eu só use em alturas específicas do ano mas que dá muito jeito (como o meu abre-castanhas que impede que eu me corte com facas afiadas pelo Magusto como é sabido acontecer) então dou-lhe um free pass até à próxima inspecção. Se for uma toalha de mesa que fica super justa na mesa e eu já possuo outras duas que assentam perfeitamente, então está na hora de ir. Uso o mesmo raciocínio para roupa, livros, quadros, o que seja!
Há objectos que nos deixam na dúvida por variados motivos e esses devemos manter numa caixa até à próxima revisão à casa. Chegada a altura, vamos reflectir acerca da falta que nos fez o objecto e no quanto pensámos nele, ou na pessoa/momento que ele nos faz recordar, e avaliamos novamente a sua importância na nossa vida.
Ser minimalista não deve ser algo que tentemos ser só para ostentarmos o título. Não deve ser encarado como uma moda. Se o fizermos por estes motivos vamos arrepender-nos de ter largado todas as coisas que deixámos para trás.
Ser minimalista deve ser uma escolha de vida bem pensada, bem compreendida e bem executada.
A pressão não tem de ser grande, não tem sequer de existir. Se a nossa vida for claramente mais complicada devido à quantidade de coisas que possuímos e das quais temos de cuidar, então o caminho far-se-á naturalmente.
Bons destralhamentos!







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